Avaliação negativa de Lula sobe para 41%, e positiva cai para 27%, a pior da série, aponta Quaest

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A perda de popularidade do governo Lula (PT), iniciada com a crise do Pix, acentuou-se, segundo indica pesquisa Genial/Quaest, atingindo também segmentos tradicionalmente mais simpáticos ao petista, como as mulheres e os moradores do Nordeste.
Os dados divulgados nesta quarta-feira (2) apontam que a proporção de entrevistados com avaliação negativa do governo aumentou, saindo de 37% em janeiro, mês do levantamento anterior, para 41%, enquanto as opiniões positivas tiveram queda de 31% para 27%. São 29% os que veem a administração como regular, ante 28%. Não sabem ou não quiseram responder 3%.
Os números são os piores para Lula da série histórica iniciada em abril de 2023. A gestão petista já chegou a ter 42% de menções positivas e 24% de negativas, em agosto do mesmo ano.
A Quaest realizou 2.004 entrevistas com brasileiros de 16 anos ou mais em 120 municípios do país de quinta (27) a segunda-feira (31). A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Entre as mulheres, pela primeira vez a avaliação negativa do governo (39%) superou a positiva (28%) fora da margem de erro -na pesquisa de janeiro, os índices eram de 36% e 33%, respectivamente, um empate técnico.
O aumento na rejeição também é visto quando a empresa de consultoria e pesquisa questiona sobre a aprovação do governo: 56% dizem desaprovar, ante 49% em janeiro, e 41% afirmam aprovar, contra 47% há dois meses. Outros 3% não sabem ou não quiseram responder.
Foram registradas oscilações e quedas na aprovação em todas as regiões, incluindo o Nordeste, onde o PT venceu com folga todas as últimas eleições presidenciais.
O mesmo ocorreu em todas as faixas etárias, em especial entre os entrevistados de 16 a 34 anos, com 64% deste grupo afirmando desaprovar o atual governo, e 33% dizendo aprovar.
A crise de popularidade retratada nos últimos levantamentos ganhou força após a crise do Pix, quando notícias falsas sobre a taxação da modalidade de transferências se espalharam pelas redes. Outro fator que tem sido apontado como relevante para o resultado é a persistência da inflação.
No começo deste ano, Lula fez mudança no comando da Secom, com a troca de Paulo Pimenta pelo marqueteiro Sidônio Palmeira, e iniciou uma ofensiva publicitária com mudanças na comunicação do presidente.
Dizem considerar o terceiro mandato do petista pior que os anteriores 53% dos entrevistados, enquanto 20% afirmam ser melhor, e 23%, igual. Em janeiro, os números eram 45%, 32% e 18%, respectivamente -ou seja, houve uma queda de 12 pontos entre os que consideram Lula 3 melhor que as passagens anteriores pelo Palácio do Planalto.
Na ótica da polarização entre o atual presidente e Jair Bolsonaro (PL), a Quaest também mostrou que, pela primeira vez, os que consideram a administração petista pior que a bolsonarista estão à frente dos que veem Lula melhor que o ex-mandatário: 43% a 39%. Outros 15% dizem que ambos os governos são iguais.
Dados semelhantes são vistos quando é abordada a situação econômica do país. São 56% os que afirmam ver piora na economia nos últimos 12 meses, contra 16% que citam melhora e 26% que entendem que tudo ficou igual.
Em uma tentativa de reverter o tombo, Lula tem anunciado uma série de medidas que buscam incentivar o consumo, como a liberação de saldo do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e o crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, com juros menores.
Mirando a classe média, o Planalto também leva a cabo a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000, promessa de campanha de Lula para este mandato. A proposta tramita no Congresso Nacional e, se aprovada, começará a valer em 2026, ano eleitoral.
Ainda há outras cartas na manga do Executivo, como a ampliação do limite de renda para acessar os financiamentos mais baratos do Minha Casa, Minha Vida. Por outro lado, há dúvidas de como estas políticas impactarão a alta dos preços, assunto de preocupação do governo federal.
O levantamento da Quaest é financiado pela corretora de investimentos digital Genial Investimentos, controlada pelo banco Genial.

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